Essa anedota, é interessante para pensar em como, mesmo quando as regras são injustas, o conhecimento delas permite certa resistência.
" Por razões que não saberíamos explicar,(...) um jovem chamado Hassan encontrou-se diante da possibilidade de se casar com a filha única de um sultão.
Para que o casamento pudesse acontecer (...) era necessário escolher entre dois pedaços de papel dobrado. Num deles estava escrita a palavra 'vida'- e, nesse caso, o casamento seria consumado - no outro estava escrita a palavra 'morte' - e, nesse caso, o pretendente teria a cabeça imediatamente cortada.
Apesar desse acordo o sultão sentia-se amofinado. Ele dizia 'Existe uma chance em duas de que eu perca minha filha e também parte da minha fortuna a favor de um pobretão desconhecido'.(...)
Ele resolveu compartilhar sua preocupação com seu grão-vizir, (...) que o aconselhou a (...) escrever a palavra 'morte' nos dois papeis. (...)
Hassan (...) refletiu sobre a proposta do sultão e previu, de alguma maneira, a armadilha que o esperava.
Quando o dia da escolha chegou, ele entrou sorridente na sala onde era esperado pelo sultão, pelo grão-vizir, por toda a corte e também por um carrasco armado de um grande sabre, que repousava sobre um cepo.
Hassan avançou, Um serviçal apresentou-lhe os dois pedaços de papel dobrado. Sem hesitar um só instante, ele pegou um dos papéis, enrolou-o com os dedos, colocou-o na boca e o engoliu.
-O que você está fazendo - exclamou o sultão. (...)
-Fiz minha escolha - respondeu Hassan - e a engoli. Se você quiser saber meu destino abra o segundo papel.
O segundo papel naturalmente trazia escrita a palavra 'morte'. Portanto, iria-se deduzir que Hassan havia escolhido e engolido a 'vida'. O sultão não poderia senão lhe oferecer, assim a mão da filha." (Anetoda extraída do livro Contos Filosóficos do mundo inteiro, de Jean-Claude Carrière, p.227)
(Lembro que a ideia deste blog é promover e compartilhar conteúdos escritos que julgo interessantes, seja pela criatividade, pela beleza estética, pela possibilidade de gerar reflexões, entre outros. Com isso é importante lembrar que a citação de autores aqui não deve ser entendida como concordância com posicionamento desses autores, e sim como uma proposta de gerar reflexão sobre os conteúdos apresentados tanto nos contexto original como em quaisquer outros contextos a que os textos, como parábolas, metáforas ou de qualquer outra forma possam promover reflexão)