(Carlos Drummond de Andrade)
A cavalo de galope
a cavalo de galope
a cavalo de galope
lá vem a morte chegando.
a cavalo de galope
a cavalo de galope
lá vem a morte chegando.
A cavalo de galope
a cavalo de galope
a morte numa laçada
vai levando meus amigos
A cavalo de galope
depois de levar meus pais
a morte sem prazo ou norte
vai levando meus amores.
a cavalo de galope
a morte numa laçada
vai levando meus amigos
A cavalo de galope
depois de levar meus pais
a morte sem prazo ou norte
vai levando meus amores.
A morte sem avisar
a cavalo de galope
sem dar tempo de escondê-los
vai levando meus amores.
a cavalo de galope
sem dar tempo de escondê-los
vai levando meus amores.
A morte desembestada
com quatro patas de ferro
a cavalo de galope
foi levando minha vida.
com quatro patas de ferro
a cavalo de galope
foi levando minha vida.
A morte de tão depressa
nem repara no que fez.
A cavalo de galope
a cavalo de galope
me deixou sobrante e oco.
nem repara no que fez.
A cavalo de galope
a cavalo de galope
me deixou sobrante e oco.
(Guardo aqui no blog para ficar fácil reler, este poema que ouvi pela primeira vez numa apresentação da Igreja Betesda, na ocasião recitado pelo Ricardo Gondim.)
Mais um de drummond:
ResponderExcluirA porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.
Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.
E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os meios perfis não coincidiam.
Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram ao lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em metades
diferentes uma da outra.
Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
Nenhuma das duas era totalmente bela.
E carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.