"Um monge descabelado me disse no caminho: 'Eu queria construir uma ruína. Embora eu saiba que ruína é uma desconstrução. Minha ideia era de fazer alguma coisa ao jeito de tapera. Alguma coisa que servisse para abrigar o abandono, como as taperas abrigam. Porque o abandono pode não ser apenas de um gato no beco ou de uma criança presa num cubículo. O abandono pode ser também de uma expressão que tenha entrado para o arcaico ou mesmo de uma palavra. Uma palavra que esteja sem ninguém dentro. (O olho do monge estava perto de ser um canto.) Continuou: digamos a palavra AMOR. A palavra amor está quase vazia. Não tem gente dentro dela. Queria construir uma ruína para a palavra amor. Talvez ela renascesse das ruínas, como o lírio pode nascer de um monturo". E o monge se calou descabelado."
"Há muitas maneiras sérias de não dizer nada, mas só a poesia é verdadeira."
"Tem mais presença em mim o que me falta."
"Melhor jeito que achei de me conhecer foi fazendo o contrário."
"Não saio de dentro de mim nem pra pescar."
"Eu queria ser lido pelas pedras."
"Aonde eu não estou as palavras me acham."
"Escrevo o idioleto manoelês archaico (Idioleto é o dialeto que os idiotas usam para falar com as paredes e com moscas). Preciso de atrapalhar as significâncias. O despropósito é mais saudável do que o solene. (Para limpar das palavras alguma solenidade - uso bosta.) Sou muito higiênico. E pois. O que ponho de cerebral nos meus escritos é apenas uma vigilância pra não cair na tentação de me achar menos tolo que os outros. Sou bem conceituado para parvo. Disso forneço certidão."
(Lembro que a ideia deste blog é promover e compartilhar conteúdos escritos que julgo interessantes, seja pela criatividade, pela beleza estética, pela possibilidade de gerar reflexões, entre outros. Com isso é importante lembrar que a citação de autores aqui não deve ser entendida como concordância com posicionamento desses autores, e sim como uma proposta de gerar reflexão sobre os conteúdos apresentados tanto nos contexto original como em quaisquer outros contextos a que os textos, como parábolas, metáforas ou de qualquer outra forma possam promover reflexão)
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