quarta-feira, 1 de abril de 2015

O mosteiro e a seca - Um conto e três finais alternativos

O conto "O mosteiro e a seca" pode ser lido na integra no livro Contos Filosóficos do Mundo Inteiro de Jean-Claude Carrière (p. 32).  Aqui prefiro trazê-lo de maneira resumida explorando, além dele, três possibilidades de terminá-lo de maneira diferente. Vamos ao conto:

Há muito tempo atrás, havia um mosteiro de grandes dimensões e cujos monges eram extremamente eficientes, plantavam, criavam animais e sempre podiam fazer estoques para tempos de vacas magras. Eis que veio um período de grande seca naquela região. Após alguns meses, uma quinzena de camponeses emagrecidos pela fome veio ao mosteiro e pediu ajuda. Os monges os alimentaram e os deram alguns mantimentos. No dia seguinte, vieram cinquenta, todos foram alimentados. No próximo dia, eram mais de cem e mais uma vez os amáveis monges os alimentaram. No quinto dia, os famintos já eram quase mil e, daí em diante, os monges desistiram de contá-los. A situação continuou a mesma, a cada dia com mais famintos à porta do mosteiro. Até que, um dia, os famintos eram tantos que acabaram por comer tudo o que os monges haviam estocado. No dia seguinte, quando nada mais restava, os famintos cozeram e comeram os monges.

O conto termina aí, não que seu conteúdo já não fale por si só e nos leve a algumas reflexões, mas há três finais que se poderia acrescentar ao conto.

Final 1:
E nos meses seguintes os famintos comeram uns aos outros, até que não sobrou mais ninguém.

Final 2:
E no dia seguinte voltou a chover e todos, exceto os monges, sobreviveram a seca.

Final 3:
E nos meses seguintes os famintos comeram uns aos outros, até que não sobrou mais ninguém, exceto os residentes de um outro mosteiro ali perto que também tinham muitos estoques, mas jamais deram de comer aos famintos, nem sequer deixaram que alguém ficasse sabendo de seus estoques.


(Lembro que a ideia deste blog é promover e compartilhar conteúdos escritos que julgo interessantes, seja pela criatividade, pela beleza estética, pela possibilidade de gerar reflexões, entre outros. Com isso é importante lembrar que a citação de autores aqui não deve ser entendida como concordância com posicionamento desses autores, e sim como uma proposta de gerar reflexão sobre os conteúdos apresentados tanto nos contexto original como em quaisquer outros contextos a que os textos, como parábolas, metáforas ou de qualquer outra forma possam promover reflexão)

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